quarta-feira, 14 de abril de 2010

O rio mudado


Na infância o rio sonhado
tinha pedrinhas para saltitar
E por elas ir e atravessar
Margem a margem um espaço amado

Na água tocava só a brincar,
E por ele ia feliz, sorrindo
Nunca tropeçando ou caindo
Leves seus passos pareciam voar!

Crescendo a criança se perdeu,
Ou será o rio tão diverso,
Que as pedras em tristezas se mudaram?

Já não salta no espaço que era seu
Dos olhos chorosos, rosto disperso
As águas doces, salgadas ficaram.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Se todos...


Se todos soubessem
Como a vida é simples
Se todos pudessem
abrir-se ao calor de Verão!
Deixar respirar a alegria
levantar os pés do chão...

Se todos fizessem,
de vez em quando
uma corrida
para fora de si
com bilhete só de ida...

Se todos levassem
as mãos livres, vazias
e se libertassem
de carregos e de feridas...

Há como seria
quente um golpe de asa
e morena a onda de sonho
que rodeia a tua casa!

Estado de Alma


Dá-me um sorriso,
mesmo que distante,
um bonequinho redondo
de simpatia constante!

Dá-me um sorriso,
aquece-me a vida,
que a vida sem abraço
é uma vida partida...

Dá-me um sorriso,
Um abraço,
Um beijinho,
sempre que assim fizeres
Não estarás sozinho!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mar - Maria

Perguntas ao mar ritmado, 
Em si desdobrado 
Porque vai ou porque vem? 
Não sabes que a onda que parte 
Em som de arrebate 
Voltará p`ra ti, Meu Bem. 
 Se por triste destino 
E em desatino 
Do mar, se fosse o movimento 
Ama-lo-ias parado, da sua vida arrancado 
Sem sonho, Sem sal e sem vento? 
 Em mar respira a mulher 
Um beijo que quer meu nome entoou 
Vivo dele o perfume 
Na tua praia molhada, sonhada... 
Mar, Maria eu sou

Os medos são reais… Só existe a dor...


Os medos são reais... Só existe a dor,
Num coração descrente, insubmisso,
Doutra primavera já teve o viço,
Eternidade que pode supor...
.
Mas um deserto feito só de dúvida,
Medos que se erguem como punhais!
Ferem tanto que vós subjugais,
O que só livre tem valor na vida...
.
Contudo pode ainda haver verdade,
E boa - fé nos olhos que vos fitam,
mas de torpe mentira acusareis...
.
Negando pois a sinceridade
Supondo crimes que vos irritam
Distante do Amor então sereis!

quarta-feira, 31 de março de 2010

A morte de Ofélia


Ofélia está doente e vai morrer.
Vento veloz se vai por brisa fria…
Mal sabia ela que já não via,
A luz esbelta do amanhecer!

Assim se queda na noite sombria,
Sendo pois de Amor seu padecer,
Feliz mulher que pode falecer,
A febre que seus olhos já feria…

No lamento longo que a devora,
Enfim uma tocante compaixão
Da morte que assim a vê tão bela!

Não se faz rogada e não demora,
Desfere o rude golpe com paixão,
Assoma a prima luz pela janela!

terça-feira, 2 de março de 2010

Madeira


Parai o vosso choro plangente
Abrandai o uivo rouco do vento
Dai ao mar um novo sentimento
Que anime a vida dessa nobre gente…

Deixai crescer de novo a quimera
Mesmo feita de rugas e feridas
Dai a essas vidas tão doridas
Um chão feito de flores na Primavera,

Mãe terra, nossa vida e destino
Piedade! São pobres pescadores,
São teus filhos e estão num desatino!

Olhai que não são eles os senhores,
Que dia a dia te ferem sem tino
Vendendo por dinheiro os teus Amores.

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