sábado, 28 de março de 2015

Março

Um dia sonhei que seria forte,
Um dia fingi que teria sorte...

Mas hoje o ar que respiro magoa
E toda a minha vida enjoa...

Queria comprar um bilhete só de ida
E encontrar-me perdida em lugar nenhum...

Fingir que esta queda é uma descida
e que esta náusea é incomum...

Mas amanha é mais um dia
Em que terei que aqui estar...

Em que a morte o meu corpo guia
Indiferente a andar ou parar...

sábado, 14 de março de 2015

Eu Canto...

Eu canto quem parte
Contra o vento, contra tudo
Que reage e não se fica
Neste marasmo absurdo
Eu canto a coragem
De quem vê mais além
E não renega o passado
Pois o passado o sustem
Eu canto quem acredita
Que tem mãos de seiva
Que alimenta os seus filhos
Com a futura colheita

Mas canto quem permanece
Com alma de partir
Carrega o fardo do tempo
Com tempo para sorrir
Eu canto quem rasga a terra
Com jeito de afagar
Se não chove, que importa
Com lágrimas a vai regar
Eu canto quem espera
Pois a espera fortalece
E trás no ventre a certeza
Que amanhã, amanhece

Eu canto o poeta que chora
Que se revolta e implora
Que virem esses caminhos
Para não ter de ir embora

sexta-feira, 13 de março de 2015

Madrugada




Subi a escada da saudade
No desespero voltei à direita,
No corredor estreito do tempo
Olhei a caminhada já feita
Na sala fria da solidão
Procurei a porta da amizade
Encontrei-a bela e aberta
Sobre a seara da liberdade…
Descanso, parada, não vencida
Com o meu mapa na mão
Que a neve fria do medo
Derreta ao sol deste verão.

Breve, brevemente

Breve, brevemente,
Partem palavras, mudam mundos
Breve, brevemente
O dia nascerá simples e quente
Breve, brevemente
A escolha será encontro
Num pormenor de primavera
Há azul, vermelho, rosa… novamente!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Eu quero ver o mar!



Ao longo da manhã,
a criança repetia:
- Eu quero ver o mar
E a Mãe sorria e via
o mar no seu olhar…

Ao longo da tarde
a criança repetia:
-Eu quero ver o mar
Os montes ondulavam e brilhavam
Em verde de encantar

Já o soninho chamando…
a criança repetia
-Eu quero ver o mar
E o sol desfez-se em bronze
Para a criança acalmar
E a tarde fez-se mágica
As flores rendilharam
Uma canção de embalar

Mas… eu…quero… ver… o… mar…

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Silêncio



Perpassas pelas brumas da memória,
E eu tão-pouco ouso imaginar
Como seria se te fosse encontrar
Segurando os fios da nossa história.

Frases avulsas, um porto vazio,
E esta ânsia que foste sem nome…
Este banquete de sabor a fome…
Este choro que não formou um rio…

Das minhas mãos o tempo que escorre
É fonte de mel de lugar nenhum
Onde não há pena, pesar ou dor…

De trás da cortina a cena não corre,
Os dias que trazem um sabor comum,
Não escutarão sussurro nem clamor!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Meditações





Disse-te adeus na estrada apinhada,

De barulhos, vozes e quase nada

Do silêncio em que vivi…

Disse-te adeus e ninguém sabe,

Disse-te adeus e sorri

Do desejo acabado e usado

Que se liberta de ti.

Na amarela luz da rua

Na noite cinzenta e fria

Brilha no chão molhado

O sabor da melancolia

Há um sopro de vento vazio

Que invade toda a rua

Aconchego a manta ao corpo

Afinal acordei nua…

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