quinta-feira, 18 de abril de 2013

Eu quero ver o mar!



Ao longo da manhã,
a criança repetia:
- Eu quero ver o mar
E a Mãe sorria e via
o mar no seu olhar…

Ao longo da tarde
a criança repetia:
-Eu quero ver o mar
Os montes ondulavam e brilhavam
Em verde de encantar

Já o soninho chamando…
a criança repetia
-Eu quero ver o mar
E o sol desfez-se em bronze
Para a criança acalmar
E a tarde fez-se mágica
As flores rendilharam
Uma canção de embalar

Mas… eu…quero… ver… o… mar…

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Silêncio



Perpassas pelas brumas da memória,
E eu tão-pouco ouso imaginar
Como seria se te fosse encontrar
Segurando os fios da nossa história.

Frases avulsas, um porto vazio,
E esta ânsia que foste sem nome…
Este banquete de sabor a fome…
Este choro que não formou um rio…

Das minhas mãos o tempo que escorre
É fonte de mel de lugar nenhum
Onde não há pena, pesar ou dor…

De trás da cortina a cena não corre,
Os dias que trazem um sabor comum,
Não escutarão sussurro nem clamor!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Meditações





Disse-te adeus na estrada apinhada,

De barulhos, vozes e quase nada

Do silêncio em que vivi…

Disse-te adeus e ninguém sabe,

Disse-te adeus e sorri

Do desejo acabado e usado

Que se liberta de ti.

Na amarela luz da rua

Na noite cinzenta e fria

Brilha no chão molhado

O sabor da melancolia

Há um sopro de vento vazio

Que invade toda a rua

Aconchego a manta ao corpo

Afinal acordei nua…

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O que há de ti...


O que há no teu sorriso
Ou na tua mão amada
Um abrigo para o frio
Um sopro de paraíso
O que há de ti no ar
Refresca a minha pele
Sabe a pintura de Dali
Com sonho, riso e mar

Mas a distância magoa
É um corpo que grita
Uma carícia que deslisa
De uma hora bonita…
O que há de ti na água,
O que há de ti no vento,
A essência que se solta
E dá luz ao sentimento…

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Sonho


Não quero o tempo, o tempo arde...
A vida é como gesta amarela,
olhamos e sorrimos para ela
e já queimou num sopro, já é tarde...

Não quero madrugadas, são tão frias
Não quero demorar a adormecer,
Quero num sono só desfalecer,
sonâmbola de quimeras vazias...

O ópio do cansaço, do silêncio,
a paz de esquecer, o abandono...
A chuva que se afunda na terra

Apagar o ser que penitencio,
E fazer do sonho o meu trono,
Onde somos felizes lá na serra.

sábado, 19 de novembro de 2011

Do Liz ao Vez e do Vez ao Liz


Do Liz ao Vez,
do Vez ao Liz,
Passa-se a negro,
passa-se a frio,
Com lápis de sombra,
no campo vazio,
Fecha-se os olhos,
acolhe-se o rio…
Chora, por vezes,
no espelho molhado,
Embravece-se o rosto,
O olhar embaciado
Mas há uma ponte
que rasga ternura
Corta com luz
a estrada amargura
Na volta do dia
é o olhar que parte,
Encontra outra via
e vive com arte
E a traço firme,
fino, ondulante
Une a si um espaço
ermo… distante
Partiu, mas não foi,
calou e só diz
Do Liz ao Vez e...
do Vez ao Liz

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Estátua


Taparam-me a janela
Tiraram toda a luz,
Perdi algo, caiu ao chão,
Já nem sei onde o pus…
Cem anos se passaram,
Cem anos de partida,
Cem anos de solidão…
Onde ficou a minha vida?

Um tempo borboleta
Um tempo de ternura
Um tempo só de sonho
Um tempo que perdura…
Um tempo primavera
Um tempo só contigo
Um tempo de aconchego
Um tempo já perdido…

Retorna o choro
tão pesado
De lágrimas cheias
de partida
Estilhaça a alma
em pedaços
Derrama pelo chão
a doce vida
Mas foi à tanto,
mas foi à tanto
Que o tempo de água
só fez sal
A rubra carne
fez em pedra
E o sorriso
se desfez em cal…

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