domingo, 4 de junho de 2017

Boa noite Mamã...

A noite veio e envolveu
No seu silêncio o desencanto,
As suas doces vozes sonhadas
Cristal puro do riso e do canto

Então grata por tê-los ouvido,
O seu chilrear no meu coração,
adormeço o terror silencioso
De não haver, para a vida, perdão.

Qualquer olhar que se olhe ao espelho,
Sempre encontrará a sua verdade...
Mesmo que aos demais pense esconder,
Tamanha dor e gratuita maldade.

Por eles aceitei o sofrimento
Que me deixou para além do ser
a minha vida que o vento a leve
Nesta manhã só quero morrer...



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Comboios de Lisboa


Esta viagem
Que me leva o dia a dia
Numa Lisboa
Que levanta na asa da gaivota
Os comboios que choram
toda a solidão
E a noite vazia
Por detrás desta porta...

Onde estão os sorrisos?
os choros e as vozes?
Onde está a lareira
Que acende a nossa vida...

Tudo se apagou, tudo se finda!
Não há esperança, nem sonho
Apenas os gestos
da inútil despedida.
E uma raiva cega
que seca as lágrimas e a vida.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Esta noite a lua chora.


Olhei bem nos teus olhos
E não vi a luz do teu amor
Apenas as sombras do passado
Fazendo eco, mas sem calor
Assim,
A mágoa fala bem mais alto
Na tua ausência e o silêncio…
De quem não devia esperar
Os segredos que restam
Está na hora de guardar.
Está na hora de desistir,
Está na hora de chorar…
Chegou a hora da verdade
Esta noite a lua chora
Porque o tempo ferra e dói
Queimando toda a vontade

Está na hora de pedir à noite
Que me envolva em escuridão
Á minha volta há novamente
Malas que levam o coração
Sem pressa, para não tropeçar
Nos vidros partidos do tempo
Do passado que já fomos
Levanto a âncora da vida
No mar que me irá levar.
Mas esta noite é para chorar
Chorar para fazer caminho
Mar de lágrimas é brando
Quando se rema sozinho...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Desvanece...


Estes eram os dias em que a alma ardia
Em que a dor te envolvia como um manto
Em que a tempestade se apagava no pranto…
 
Estas são as noites em que o frio invade
Pelo corpo se espalha como doença
Em que o esquecimento é a sentença.
 
Por fim, vencida pelo cansaço,
De uma espera sem esperança
Escureço num sono sem lembrança
 
Não consigo segurar a luz da tarde,
Este perfume que ao ar pertence
Nem a tua imagem que desvanece…

quarta-feira, 16 de março de 2016

Solidão


Seria apenas um dia,
dos muitos que tenho tido...
Não fora ter-me cruzado,
de manhã, logo contigo.

Entraste no meu pensamento
Como em casa vazia,
ecoando os teus passos
na minha alma tão fria.

Sabia que a tristeza
a minha porta fechara
e que a negra mentira
há muito tempo a trancara...

Mas como posso negar
que iluminaste o meu dia
Que desta enorme solidão
Nem eu própria sabia...

terça-feira, 15 de março de 2016

Fado da despedida (o meu)


Esta noite sabe a traição,
A sonhos desfeitos, a quimeras,
À nossa vida que jogas ao chão
À imagem partida do que eras…

Esta noite sabe a despedida,
Sabe a um adeus para sempre
Sabe a uma vida perdida,
Do odor negro que a morte sopre…

E eu, onde estava, já não estou,
E eu, por onde andei, já não vou,
E eu, porque quis, já não quero.

Agora é… um amargo de boca,
Uma sombra de raiva, mas já pouca,
De ti, pouco ficou e nada espero.

domingo, 6 de março de 2016

Sem sentido


Quando desejei fez sentido
Quando amei, ainda mais,
Quando chorei, num suspiro
Engoli sozinha os meus ais

Quando doeu me magoou
a minha alma mudou de cor
E a um invólucro vazio
Doei apenas o meu Amor

E…

Fui esperança, não desisti,
Fui criança acreditei,
Mesmo na ponta do medo
Quando nada tinha ainda dei…

Caminhei até ao fim do caminho
Para saber, não há caminho algum
Quando apenas há um sentido
Não faz sentido nenhum

Pintei sozinha um sonho
Da cor do meu querer
Mas a água da chuva lavou
Resta apenas adormecer…

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