quarta-feira, 6 de abril de 2016

Desvanece...


Estes eram os dias em que a alma ardia
Em que a dor te envolvia como um manto
Em que a tempestade se apagava no pranto…
 
Estas são as noites em que o frio invade
Pelo corpo se espalha como doença
Em que o esquecimento é a sentença.
 
Por fim, vencida pelo cansaço,
De uma espera sem esperança
Escureço num sono sem lembrança
 
Não consigo segurar a luz da tarde,
Este perfume que ao ar pertence
Nem a tua imagem que desvanece…

quarta-feira, 16 de março de 2016

Solidão


Seria apenas um dia,
dos muitos que tenho tido...
Não fora ter-me cruzado,
de manhã, logo contigo.

Entraste no meu pensamento
Como em casa vazia,
ecoando os teus passos
na minha alma tão fria.

Sabia que a tristeza
a minha porta fechara
e que a negra mentira
há muito tempo a trancara...

Mas como posso negar
que iluminaste o meu dia
Que desta enorme solidão
Nem eu própria sabia...

terça-feira, 15 de março de 2016

Fado da despedida (o meu)


Esta noite sabe a traição,
A sonhos desfeitos, a quimeras,
À nossa vida que jogas ao chão
À imagem partida do que eras…

Esta noite sabe a despedida,
Sabe a um adeus para sempre
Sabe a uma vida perdida,
Do odor negro que a morte sopre…

E eu, onde estava, já não estou,
E eu, por onde andei, já não vou,
E eu, porque quis, já não quero.

Agora é… um amargo de boca,
Uma sombra de raiva, mas já pouca,
De ti, pouco ficou e nada espero.

domingo, 6 de março de 2016

Sem sentido


Quando desejei fez sentido
Quando amei, ainda mais,
Quando chorei, num suspiro
Engoli sozinha os meus ais

Quando doeu me magoou
a minha alma mudou de cor
E a um invólucro vazio
Doei apenas o meu Amor

E…

Fui esperança, não desisti,
Fui criança acreditei,
Mesmo na ponta do medo
Quando nada tinha ainda dei…

Caminhei até ao fim do caminho
Para saber, não há caminho algum
Quando apenas há um sentido
Não faz sentido nenhum

Pintei sozinha um sonho
Da cor do meu querer
Mas a água da chuva lavou
Resta apenas adormecer…

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Luiz


Onde te sinto sem palavras,
Onde iremos não sei,
Onde te espero e amanheço,
Onde permaneço seguirei

Não há lugar, não há tempo,
Não há infinito, mas indeterminado…
A matéria que não é átomo
Acontece sem seguimento…

Um dia é um tempo, sem movimento,
Uma noite, nos teus braços, é eterna
Um sorriso teu marca o lugar
Onde fica o nosso paraíso.

Não temos onde, não temos quando,
Não temos caminho, só essência
E eu fixo apenas a permanência
Da cadência das ondas do mar.

Somos o que somos sem par
Sem explicação, sem passado
O futuro é indeterminado
O presente é apenas o teu olhar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Refúgio


Pedi para ficar
Onde o vento não ousa,
Onde o verde repousa,
Onde o ar acaricia….
Pedi para ficar
Longe do clamor do mar
Num céu de azul sem par
Onde o sol alicia…
E nesta paragem ficarei
Até que seque a semente do medo
Lastro inútil que carrego há anos,
Noite eterna do meu degredo
E nesta paragem ficarei
Até que o verde, faça verde o meu olhar
Até que o silêncio entorne a minha alma
E nela me possa deitar…

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Político


Vai… vai, que vais cair!
Nesses hipócritas julgamentos,
Nesses falsos sofrimentos
Que fazes de conta sentir…
Vai, vai que vais cair!
Nesse caminho onde andas
Onde rebolas e tresandas
De inutilidade e fastio
Onde o dinheiro é imperador,
E senhor de sorriso frio…
Vai, vai que vais explodir!
Nessas mentiras que vomitas
Nas fabulações em que acreditas
E que um dia vais engolir…
Vai, VAI! E não voltes!

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